A ONU pede a libertação imediata do médico palestino Hussam Abu Safiya
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- 8 de jul.
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A Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado pediu a libertação imediata do médico palestino Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, detido por Israel desde dezembro de 2024. A ONU afirmou que a prisão sem acusação formal e os relatos de abusos contra o médico levantam preocupações sobre possíveis violações do direito internacional. Organizações de direitos humanos e o advogado de Abu Safiya afirmam que seu estado de saúde se deteriorou durante a detenção.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, declarou que Abu Safiya permanece preso sem acusação formal e que as condições de sua detenção apresentam problemas relacionados às normas internacionais de proteção aos direitos humanos.
O médico palestino foi preso em Gaza em dezembro de 2024, após atuar como diretor do Hospital Kamal Adwan, uma das unidades de saúde que funcionavam no norte da Faixa de Gaza durante o genocídio de Israel contra a população palestina.
A organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos de Israel e o advogado de Abu Safiya afirmaram que ele continua detido sem julgamento e que sua vida estaria em risco devido ao agravamento de seu estado de saúde.
“As ações dos guardas do Serviço Prisional Israelense em relação aos detidos palestinos levantam sérias preocupações sobre violações do direito internacional que provavelmente configuram crimes internacionais. O estado de saúde do Dr. Abu Safiya é resultado direto dessas ações”, afirmou a comissão da ONU.
O Serviço Prisional de Israel negou as acusações. Em declaração divulgada na quarta-feira, um porta-voz da instituição afirmou: “As alegações e caracterizações descritas são falsas, ultrajantes e totalmente desprovidas de fundamento factual”.
Embora não tenha citado diretamente o nome de Abu Safiya, o Serviço Prisional Israelense já havia rejeitado anteriormente denúncias de maus-tratos contra o médico e outros profissionais de saúde palestinos detidos.
Na segunda-feira anterior, o advogado do médico informou que sua condição física havia piorado e afirmou que ele estaria submetido a abusos durante a prisão. Durante uma audiência realizada na Suprema Corte de Israel, em Jerusalém Ocidental, no mês de junho, Abu Safiya participou por videoconferência e apareceu com perda de peso visível.
A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU declarou que o caso de Abu Safiya faz parte de um padrão de violações documentado em relatórios anteriores sobre o tratamento de palestinos detidos por Israel.
Em setembro de 2025, a comissão afirmou que as autoridades israelenses cometeram genocídio ao atacar o sistema de saúde e profissionais médicos da Faixa de Gaza desde outubro de 2023. O governo israelense rejeitou as acusações, classificando-as como “escandalosas”.
Israel acusou a comissão da ONU de adotar uma agenda política contra o país, de ultrapassar seu mandato e decidiu não cooperar com suas investigações.
Além da manifestação da Comissão Internacional Independente de Inquérito, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária também classificou a prisão de Abu Safiya como arbitrária e exigiu sua libertação imediata.
O órgão da ONU afirmou que a detenção violou dispositivos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, documentos que estabelecem garantias contra prisões sem base legal e contra violações dos direitos de pessoas privadas de liberdade.

































