Acnur quer expansão urgente de reassentamento de milhões de refugiados
- www.jornalclandestino.org

- 18 de jun.
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Cerca de 2,4 milhões de refugiados precisarão ser reassentados em 2027, segundo projeção divulgada em 17 de junho pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O número expõe a distância entre as necessidades de proteção de populações deslocadas e as vagas disponibilizadas pelos Estados para programas de reassentamento. Enquanto países de baixa e média renda concentram a maior parte do acolhimento, governos das economias centrais reduziram admissões, endureceram critérios e ampliaram barreiras administrativas, segundo o relatório da agência da ONU.

Os dados constam do relatório “Necessidades Globais Projetadas de Reassentamento”, publicado pelo Acnur. O documento estima que aproximadamente 2,4 milhões de refugiados necessitarão de reassentamento em 2027 porque permanecem expostos a riscos nos países onde buscaram abrigo e não possuem condições de retornar com segurança aos seus locais de origem.
Embora o total projetado represente redução de 6% em relação à estimativa para 2026, o Acnur informa que a queda decorre de mudanças em contextos nacionais específicos e não da resolução das causas que produzem deslocamentos forçados. A agência aponta que milhões de pessoas continuam sem acesso a mecanismos permanentes de proteção internacional.
Os refugiados afegãos permanecem como o maior grupo com necessidade de reassentamento no mundo. Em seguida aparecem refugiados oriundos do Sudão do Sul, do Sudão e da Síria. O levantamento também destaca a situação dos refugiados rohingya de Mianmar, concentrados em Bangladesh após fugirem de perseguições e operações militares, permanecendo sujeitos a riscos identificados pelo Acnur.
A dimensão da crise humanitária contrasta com a redução do número de reassentamentos efetivamente realizados. Em 2025, cerca de 37 mil refugiados foram transferidos para terceiros países por meio de programas assistidos pelo Acnur. No ano anterior, esse total havia superado 116 mil pessoas.
O relatório destaca que a comunidade internacional estabeleceu em 2022 uma meta de 130 mil vagas de reassentamento para 2027. Entretanto, o Acnur afirma que a redução das cotas adotadas por diversos países torna improvável o cumprimento desse objetivo.
Segundo a agência da ONU, a escassez de vagas está associada a mudanças políticas nos países de destino. O relatório cita suspensão de admissões, adoção de critérios mais restritivos e atrasos nos processos administrativos como fatores que reduziram o acesso de refugiados aos programas de reassentamento.
O documento aponta que a discrepância entre necessidades humanitárias e respostas governamentais ocorre em um contexto no qual os países que menos concentram riqueza global assumem a maior parcela da responsabilidade pelo acolhimento. Dados das Nações Unidas indicam que países de baixa e média renda abrigam 68% dos refugiados do mundo.
Essa distribuição revela um padrão persistente da ordem internacional contemporânea: Estados que enfrentam limitações orçamentárias, desafios sociais e pressões sobre infraestrutura pública absorvem a maior parte dos deslocamentos humanos produzidos por guerras, intervenções militares, ocupações, sanções econômicas e crises políticas. Ao mesmo tempo, governos das economias centrais mantêm mecanismos seletivos para admissão de refugiados, mesmo diante do crescimento das necessidades globais de proteção.
O Acnur afirma que o reassentamento reduz a pressão sobre países de acolhimento, fortalece mecanismos de cooperação internacional e oferece alternativas a deslocamentos subsequentes realizados por rotas perigosas. A agência também sustenta que a ampliação das cotas, a participação de mais países e a aceleração dos processos administrativos permitiriam ampliar o alcance dos programas de reassentamento.
Ao apresentar as projeções para 2027, o relatório reafirma que milhões de refugiados continuarão dependentes de mecanismos internacionais de proteção em um cenário marcado pela insuficiência de vagas disponibilizadas pelos Estados para reassentamento.

































