‘Aposta arriscada’: mídia israelense questiona ofensiva de Netanyahu no Líbano
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- 8 de jun.
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A decisão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de retomar ataques contra o subúrbio sul de Beirute provocou críticas dentro da própria imprensa israelense. Em artigo publicado pelo jornal Maariv, o jornalista Dan Perry afirmou que a ofensiva não produziu resultados militares e aumentou o risco de uma escalada envolvendo Irã, Líbano, Israel e Estados Unidos. O texto questiona a capacidade de Israel de sustentar uma guerra prolongada sem apoio político, militar e diplomático estadunidense.

Publicado em meio à intensificação das tensões no Oriente Médio, o artigo de Perry apresenta críticas à escolha de atingir novamente a região de Dahiyeh, área localizada nos subúrbios ao sul da capital libanesa. Segundo o jornalista, o ataque ocorreu em um momento em que Israel depende da coordenação com Washington para lidar com o cenário envolvendo o Irã.
De acordo com a análise publicada pelo Maariv, a operação não gerou vantagens estratégicas para Israel. Perry argumenta que a ofensiva foi seguida por ataques com mísseis balísticos iranianos contra o norte de Israel e por ameaças de ampliação das hostilidades em toda a região.
O articulista observou que a escalada ocorreu ao mesmo tempo em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestava publicamente interesse em encerrar o ciclo atual de confrontos. Para Perry, a retomada dos bombardeios produziu efeitos contrários aos objetivos declarados pelo governo israelense.
O texto sustenta que ataques contra civis ou infraestrutura libanesa sem ligação comprovada com objetivos militares fortalecem a posição política da Resistência libanesa. Segundo Perry, essas ações permitem que o Hezbollah se apresente novamente como força de defesa do Estado libanês diante dos ataques israelenses.
“Qualquer dano a civis ou infraestrutura libaneses sem justificativa clara, ligado ao Hezbollah, apenas fortalece a narrativa da Resistência e a ajuda a se apresentar novamente como defensora do Estado contra a agressão israelense”, escreveu o jornalista.
Perry acrescentou que as autoridades israelenses estariam ignorando os efeitos políticos produzidos pelas operações militares no Líbano. “A liderança em Jerusalém ignora completamente essa equação e não consegue pensar dois passos à frente, especialmente considerando que o cenário central atual é o Irã, não o Líbano”, afirmou.
O artigo também aborda a dependência israelense em relação aos Estados Unidos. Segundo o texto, discursos sobre autonomia estratégica não correspondem à realidade operacional do Estado israelense.
Perry argumenta que Israel depende da ponte aérea estadunidense para reabastecimento militar, do fornecimento de munições, do veto diplomático exercido por Washington nas Nações Unidas e da proteção política oferecida perante organismos internacionais e governos europeus. Na avaliação do jornalista, sem esse suporte Israel não conseguiria manter uma guerra de grande escala por um período prolongado.
“Israel se colocou numa situação delicada em que agora precisa conter até mesmo os ataques iranianos e responder aos esforços de desescalada, porque não consegue sustentar uma guerra em larga escala sem o apoio americano”, escreveu.
O texto relaciona a posição do governo estadunidense às condições políticas internas enfrentadas por Donald Trump. Segundo Perry, a Casa Branca acompanha o impacto da alta dos preços da energia, as disputas eleitorais e o ambiente político doméstico dos Estados Unidos.
Na avaliação apresentada pelo artigo, Trump considera que uma guerra regional prolongada poderia gerar custos políticos para seu governo e afetar o desempenho eleitoral do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato. Perry sustenta que esse cálculo explica o interesse de Washington em limitar a expansão das hostilidades.
“Washington, portanto, busca uma saída não humilhante e deseja uma desescalada, tornando a insistência israelense em incendiar o subúrbio sul uma medida que convida ao confronto direto e a uma intensa e constrangedora pressão americana sobre Israel”, afirmou.
O jornalista também apontou diferenças entre os interesses políticos de Trump e Netanyahu. Segundo o artigo, enquanto o governo estadunidense procura reduzir o impacto regional da crise, Netanyahu enfrenta um cenário político interno marcado por dificuldades eleitorais.
Perry afirma que pesquisas de opinião registram desvantagem para o atual governo israelense e indicam dificuldades para a manutenção de sua base política. Nesse contexto, o artigo destaca a existência de suspeitas dentro da sociedade israelense sobre possíveis interesses políticos relacionados à continuidade da escalada militar.
Segundo o relatório publicado pelo Maariv, parte da população israelense considera a possibilidade de que o governo esteja alimentando um novo estado de emergência para alterar o calendário político interno. O texto menciona preocupações relacionadas ao retorno da população aos abrigos, à interrupção de atividades escolares, às restrições no transporte aéreo e aos custos econômicos associados à continuidade dos confrontos.
Perry descreveu a influência de “considerações externas e pessoais” nos cálculos de guerra como um processo de deterioração política sem precedentes na história dos governos israelenses, segundo sua avaliação publicada pelo Maariv.

































