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Bolívia completa 47 dias de protestos e bloqueios contra o presidente Rodrigo Paz

A Bolívia chegou a 47 dias consecutivos de protestos nesta terça-feira, 16 de junho, com 52 bloqueios de estradas registrados em cinco departamentos do país. Organizações sociais e setores mobilizados mantêm como principal reivindicação a renúncia do presidente Rodrigo Paz, rejeitando propostas de negociação que não contemplem essa demanda. A paralisação das principais rotas de transporte já afeta o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, provocando aumento de preços em centros urbanos.


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Dados divulgados pelos organizadores dos protestos apontam que o departamento de La Paz concentra 20 bloqueios de estradas, seguido por Cochabamba, com 17 interdições. Oruro registra sete bloqueios, Potosí contabiliza cinco e Santa Cruz mantém uma interdição na localidade de San Julián.


Nas 20 províncias de La Paz, comunidades e organizações sociais realizam assembleias para definir os próximos passos da mobilização. Três províncias anunciaram que não participarão de negociações com o Poder Executivo e discutem medidas relacionadas ao fornecimento de água potável como forma de ampliar a pressão sobre o governo.


A crise política também expôs divergências entre setores da oposição. Grupos identificados com a direita boliviana passaram a questionar a atuação do presidente diante da escalada dos protestos, acusando o governo de não apresentar uma saída para o impasse político. Esses setores sustentam que o Executivo busca desgastar os manifestantes em vez de recorrer aos mecanismos previstos pelo estado de emergência constitucional.


A direção da Central Operária Boliviana (COB) informou que continuará realizando consultas com sindicatos e organizações filiadas antes de adotar novas posições sobre o conflito. Representantes da entidade afirmaram que qualquer decisão será tomada a partir das deliberações das bases mobilizadas.


Enquanto o governo tenta reabrir canais de negociação, lideranças dos movimentos sociais reiteram que não aceitarão acordos parciais. As organizações mobilizadas sustentam que a saída de Rodrigo Paz da presidência permanece como condição para qualquer entendimento político.


O prolongamento dos bloqueios tem provocado impactos diretos sobre a circulação de mercadorias em diversas regiões do país. A interrupção das rotas utilizadas para transporte de alimentos, combustíveis e medicamentos reduziu o abastecimento em centros urbanos e elevou os preços de produtos de consumo cotidiano.


A atual onda de mobilizações começou seis meses após a posse de Rodrigo Paz. Ele venceu o segundo turno das eleições defendendo uma plataforma de perfil centrista, mas passou a implementar medidas econômicas alinhadas ao receituário neoliberal após assumir o governo.


Entre as decisões que ampliaram a insatisfação social está a eliminação dos mecanismos de representação das comunidades indígenas nas estruturas institucionais do Estado. Os movimentos sociais denunciam que a medida atingiu diretamente setores que representam cerca de 60% da população boliviana e foi justificada pelo governo sob o argumento da implantação de uma política de meritocracia corporativa.


As manifestações tiveram início a partir de reivindicações setoriais. Professores cobravam reajustes salariais, trabalhadores do transporte apresentavam demandas relacionadas às condições de trabalho e diferentes categorias pressionavam por respostas econômicas. Com o fracasso das negociações entre governo e movimentos sociais, essas pautas foram unificadas em uma exigência política central: a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

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