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Bósnia e Herzegovina: A educação sobre o risco de minas reduz os perigos e salva vidas

Trinta anos após o fim do conflito armado na Bósnia e Herzegovina, minas terrestres e munições não detonadas continuam causando mortes e restringindo o uso de parte do território nacional. Em agosto de 2025, um jovem de 19 anos morreu ao entrar em uma área minada sinalizada na região de Doboj, evidenciando que as gerações nascidas após a guerra convivem com ameaças cuja origem histórica não presenciaram. Dados apresentados pela Sociedade da Cruz Vermelha da Bósnia e Herzegovina e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) mostram que 774 quilômetros quadrados ainda são considerados suspeitos de conter explosivos.


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A persistência das minas terrestres mantém aberta uma das heranças materiais da guerra que atingiu a Bósnia e Herzegovina nos anos 1990. Segundo informações divulgadas pelo CICV e por instituições locais de desminagem, cerca de 2% do território nacional permanece contaminado por explosivos ou sob suspeita de contaminação, concentrando-se em áreas florestais, regiões rurais e antigos corredores militares onde o acesso e a remoção dos artefatos exigem operações prolongadas.


O caso ocorrido em Doboj, em agosto de 2025, tornou-se um exemplo dos desafios enfrentados pelas autoridades e organizações humanitárias. O jovem que morreu havia nascido após o encerramento da guerra e não possuía memória direta do conflito nem das razões que levaram à instalação dos campos minados. Sua morte reforçou a preocupação das entidades envolvidas com a segurança de pessoas que cresceram distantes dos acontecimentos da década de 1990, mas continuam expostas às suas consequências.


Dados compilados pelas autoridades responsáveis pela ação contra minas apontam que, desde o período pós-guerra, foram registrados 1.862 incidentes envolvendo minas terrestres e resíduos explosivos. Esses episódios resultaram em 625 mortes e deixaram centenas de pessoas feridas ao longo das últimas três décadas.


Diante desse cenário, a Sociedade da Cruz Vermelha da Bósnia e Herzegovina mantém há 30 anos um programa de educação sobre risco de minas com apoio do CICV. Segundo as organizações, as atividades alcançaram mais de 40 comunidades afetadas e aproximadamente 600 mil estudantes em idade escolar, por meio de programas voltados à conscientização sobre os perigos representados por explosivos remanescentes da guerra.


As iniciativas incluem visitas a escolas, acampamentos educativos e campanhas realizadas diretamente em comunidades rurais. O objetivo é transmitir informações para grupos considerados mais expostos ao risco de contato com munições não detonadas, incluindo agricultores, caçadores, pescadores, trabalhadores florestais, excursionistas e pessoas que retornaram para áreas anteriormente abandonadas durante o conflito.


O Centro de Ação contra Minas da Bósnia e Herzegovina (BHMAC) atua em cooperação com a Cruz Vermelha em campanhas de conscientização e programas educativos destinados à população jovem. As instituições afirmam que a combinação entre educação preventiva e remoção de explosivos contribuiu para reduzir o número de vítimas registradas anualmente.


Segundo os dados apresentados pelas organizações humanitárias, mais de 80% das áreas anteriormente identificadas como contaminadas já foram liberadas após operações de desminagem. Apesar disso, o processo restante tornou-se mais complexo devido às transformações ocorridas no terreno ao longo das décadas. Alterações na vegetação, erosão do solo e mudanças geográficas em antigas linhas de frente dificultam a localização dos explosivos e aumentam o tempo necessário para as operações.


A dimensão do problema levou a Bósnia e Herzegovina a solicitar, em 2026, uma nova extensão do prazo estabelecido pela Convenção sobre Minas Antipessoal para concluir a eliminação dos artefatos. O prazo vigente previa a conclusão dos trabalhos até março de 2027, mas as autoridades reconheceram que os objetivos não seriam alcançados dentro desse calendário.


A tragédia de Doboj também mobilizou iniciativas de solidariedade. Após a morte do jovem em 2025, a Cruz Vermelha do Cantão de Tuzla lançou uma campanha para construir uma casa destinada à mãe da vítima. O projeto recebeu apoio de moradores, artistas e empresários, permitindo o início das obras.


Em 4 de abril de 2026, durante o Dia Internacional da Conscientização sobre Minas Terrestres, a Sociedade da Cruz Vermelha da Bósnia e Herzegovina organizou atividades públicas na cidade de Mostar. O evento contou com a participação da chefe da delegação do CICV na Bósnia e Herzegovina, Jamila Milovic Halilovic, representantes do BHMAC, integrantes da força da União Europeia no país (EUFOR) e autoridades governamentais.


As atividades tiveram como foco a divulgação de informações sobre minas terrestres e munições não detonadas, além da continuidade dos programas de desminagem. Em declaração conjunta divulgada durante o evento, a Cruz Vermelha afirmou que os efeitos da guerra permanecem presentes no território nacional mesmo três décadas após o encerramento dos combates.


“Não há paz segura e duradoura enquanto as minas continuarem a representar uma ameaça. Portanto, nossa mensagem é clara: a segurança das pessoas deve ser uma prioridade. A ação contra minas salva vidas e possibilita a recuperação das comunidades”, declarou a Sociedade da Cruz Vermelha da Bósnia e Herzegovina.

 
 

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