Investigação aponta transferência suspeita de R$ 18 milhões para empresa ligada a diretor da igreja Congregação Cristã
- www.jornalclandestino.org

- 29 de jun.
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Uma empresa no Distrito Federal recebeu R$ 18 milhões de uma holding investigada por atuar como núcleo de movimentação financeira em esquema sob apuração da Polícia Federal. O caso envolve transações que somam R$ 255,38 milhões entre 2023 e 2025, segundo relatório do Coaf. As investigações também conectam o fluxo de recursos a fraudes em benefícios previdenciários e operações em contas bancárias.

O inquérito da Polícia Federal registra que a empresa Isabela V R O Ltda., registrada em nome de uma moradora de Valparaíso de Goiás e com sede em coworking na Asa Sul, recebeu recursos da Arpar Administração, Participação e Empreendimento S.A., apontada como estrutura central de movimentação de valores em apurações sobre a chamada Farra do INSS. O período analisado vai de janeiro de 2023 a agosto de 2025.
A Arpar é citada em investigações como responsável por circular recursos por meio de empresas sem atividade operacional identificada, com origem atribuída a fraudes em descontos previdenciários, além de valores relacionados a comércio ilegal de armas, apostas clandestinas e repasses de propina, conforme registros da Polícia Federal e relatórios financeiros.
O Relatório de Inteligência Financeira do Coaf indica que a Isabela V R O Ltda. movimentou R$ 255,38 milhões em pouco mais de dois anos, com capital social declarado de R$ 100 mil. Nesse período, recebeu cerca de R$ 18 milhões da Arpar e R$ 1,6 milhão da empresa Dinar, também citada nas investigações.
Os registros apontam transferências entre a empresa e o diretor de uma unidade no Distrito Federal da Congregação Cristã no Brasil, identificado como Paulo Henrique Venancio da Rocha, com saídas de R$ 492 mil dele para a empresa e retorno de R$ 1,56 milhão. Também constam repasses de R$ 462 mil da empresa JK Global e valores da Recovery Black, citada em relatórios como parte da mesma rede de movimentação financeira.
Os dados indicam que a proprietária formal da empresa recebeu R$ 20.440 no período analisado. O cadastro dela no governo federal registra recebimento de R$ 750 do Bolsa Família e vínculo com empregos de baixa remuneração no mesmo intervalo em que a empresa movimentou valores elevados.
A Congregação Cristã no Brasil foi acionada para manifestação. A defesa dos demais citados não foi localizada até o fechamento das informações.
A investigação também foi anexada a ação civil do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios contra o Banco de Brasília (BRB) e a associação Cassisp, com apuração sobre descontos em contas de clientes sem autorização. O processo registra uso de entidades associativas, concentração de cobranças em beneficiários idosos e ausência de autorização formal para débitos automáticos.
O inquérito cita a operação policial que resultou na prisão de sete pessoas ligadas à Cassisp e outras associações durante a Operação Parasita, em junho de 2026. Três dos detidos já apareciam em investigações relacionadas a fraudes em benefícios do INSS, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal.
O BRB informou, em nota, que encaminhou notícia-crime às autoridades após identificar irregularidades em movimentações financeiras e determinou o afastamento de três funcionários até a conclusão das investigações, além de afirmar colaboração com os órgãos de apuração.

































