Israel mata criança palestina nos braços do pai em Gaza
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- 18 de jun.
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Uma criança palestina de dois anos foi morta por disparos israelenses enquanto era carregada pelo pai na região leste de Deir al Balah, no centro da Faixa de Gaza. O caso foi relatado pelo próprio pai, Bahaa Abu al-Ajeen, em entrevista à agência Anadolu, concedida de um leito do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa. O episódio ocorreu em 14 de junho de 2026, em meio à continuidade das operações israelenses no enclave apesar do cessar-fogo firmado meses antes.

Segundo Abu al-Ajeen, seu filho Rayan, que completaria três anos apenas 12 dias depois, foi atingido na cabeça por um disparo efetuado por soldados israelenses enquanto ambos tentavam fugir de uma unidade militar que surgiu sem aviso na área onde caminhavam.
O pai afirmou que o incidente ocorreu durante a noite em uma área a leste de Deir al Balah. De acordo com seu relato à Anadolu, a região estava sem movimentação militar aparente naquele momento, sem a presença visível de tanques ou drones israelenses.
“Eu estava caminhando a pé naquela área com meu filho, Rayan, e de repente, sem aviso prévio, fomos surpreendidos por uma força militar israelense”, declarou.
Abu al-Ajeen relatou que reagiu instintivamente correndo com a criança nos braços. Segundo ele, conseguiu percorrer entre 20 e 30 metros enquanto o filho chorava e gritava de medo.
“Naquele momento, soldados israelenses dispararam a uma distância muito curta, e uma bala atingiu Rayan na cabeça e saiu pelo olho”, afirmou.
Logo após o disparo que atingiu a criança, o pai disse que também foi alvejado. Segundo seu testemunho, tiros atingiram seus pés, provocando sua queda enquanto ainda segurava o filho.
Internado no Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, Abu al-Ajeen recebe tratamento para ferimentos causados pelos disparos. Ele informou que médicos avaliam a possibilidade de amputação de um dos seus pés em decorrência das lesões.
O palestino relatou que os acontecimentos posteriores ao ataque foram marcados por detenções, agressões físicas e negação de assistência médica. “Os momentos que se seguiram foram mais difíceis do que a própria morte”, declarou.
Segundo seu relato, ele tentou solicitar socorro médico após ser atingido, mas soldados israelenses tomaram seu telefone celular, desligaram o aparelho e o ameaçaram de morte.
Em vez de ser encaminhado para atendimento, afirmou ter sido levado para uma instalação militar enquanto continuava segurando o corpo do filho.
“Eles envolveram Rayan em um saco de náilon e o jogaram de lado como se ele não tivesse valor nenhum”, disse, chorando.
Abu al-Ajeen afirmou ainda que implorou para que os soldados permitissem o atendimento da criança, mas teve os pedidos recusados.
“Eles rejeitaram todos os meus apelos para salvá-lo, dizendo friamente: ‘Não, vamos deixar você e ele morrerem’”, relatou.
O pai declarou que permaneceu sob custódia militar por mais de dez horas. Durante esse período, segundo seu testemunho, foi transferido entre diferentes instalações, permaneceu vendado e algemado, perdeu sangue sem receber atendimento médico e foi submetido a agressões físicas durante o transporte.
Ele afirmou ainda ter sido deixado ao ar livre durante parte da detenção, próximo a cães utilizados pelas forças israelenses.
Após mais de dez horas, segundo o relato, soldados o abandonaram durante a madrugada em uma área deserta, ao lado do corpo de Rayan. Civis palestinos encontraram ambos e providenciaram o transporte para o Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al Balah.
No hospital, Abu al-Ajeen recuperou a consciência e recebeu a confirmação da morte do filho.
Do leito hospitalar, ele pediu uma investigação internacional para apurar as circunstâncias do caso e identificar os responsáveis.
“Quero que o mundo saiba o que aconteceu com meu filho e que os responsáveis sejam responsabilizados”, afirmou.
O episódio foi associado por palestinos à morte de Mohammad al-Durrah, menino palestino de 12 anos morto em setembro de 2000 durante a Segunda Intifada. Na ocasião, imagens registradas por uma equipe da televisão francesa mostraram a criança abrigada ao lado do pai sob disparos israelenses. As gravações circularam internacionalmente e passaram a simbolizar o impacto da ocupação e das operações militares israelenses sobre a população palestina.
O caso de Rayan ocorre em meio à continuidade do genocídio contra a população palestina da Faixa de Gaza. Dados das autoridades de saúde locais indicam que cerca de 73 mil palestinos foram mortos e mais de 173 mil ficaram feridos desde outubro de 2023.
Em outubro de 2025, Israel e Hamas firmaram um acordo de cessar-fogo mediado por Egito, Catar, Estados Unidos e Turquia. Apesar da entrada em vigor da trégua, autoridades palestinas relatam a continuidade de ataques israelenses em diferentes áreas da Faixa de Gaza, além da manutenção de restrições à entrada de alimentos, medicamentos e materiais destinados à população do enclave.

































