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João Pedro Stedile: Por que continuamos a apoiar a Venezuela?

O ativista e economista João Pedro Stédile, integrante da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), divulgou declaração de apoio ao governo da Venezuela em meio ao que ele descreve como uma intervenção militar estadunidense no país. A manifestação foi publicada em 3 de junho de 2026, às 17h31. O texto associa a crise venezuelana a uma sequência de disputas políticas e econômicas na América Latina desde a década de 1990.


João Pedro Stédile, Economista e ativista brasileiro | ARQUIVO
João Pedro Stédile, Economista e ativista brasileiro | ARQUIVO

Stédile afirma que houve uma invasão estadunidense em 3 de janeiro e que o presidente Nicolás Maduro e a congressista Cilia Flores teriam sido sequestrados durante a operação. Ele também relaciona o episódio à política externa dos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump. O MST sustenta que o povo venezuelano segue sob efeitos de uma guerra híbrida atribuída a interesses estadunidenses e de aliados regionais.


A declaração de João Pedro Stédile articula uma leitura histórica da política latino-americana, conectando a hegemonia estadunidense dos anos 1990 a iniciativas como NAFTA e ALCA. O texto afirma que, nesse período, “havia uma hegemonia total dos EUA no continente, que nos impôs o acordo NAFTA e depois quis impor a ALCA”, com exceção de Cuba.


O dirigente do MST também menciona o ciclo político iniciado por Hugo Chávez após a vitória eleitoral de 1999. Segundo ele, o processo bolivariano teria rompido a orientação neoliberal e impulsionado uma nova articulação regional com governos como os de Lula, Rafael Correa, Evo Morales e Néstor Kirchner. Ele cita ainda a ALBA como alternativa à ALCA, derrotada em 2005.


Na declaração, Stédile atribui às administrações dos Estados Unidos, sob governos democratas e republicanos, ações de pressão política e econômica contra a Venezuela. O texto menciona tentativas de golpe contra Chávez, a greve na estatal PDVSA, protestos de rua e bloqueios econômicos. Ele afirma que “o imperialismo estadunidense [...] impôs todas as táticas possíveis dentro do manual de guerra híbrida”.


O documento também aborda a morte de Hugo Chávez, descrita como “inexplicável” no texto de Stédile, que associa o período a diagnósticos semelhantes em outros líderes da América do Sul. Ele cita os governos de Dilma Rousseff, Lula e Cristina Kirchner no mesmo contexto.


A declaração menciona ainda o reconhecimento do governo de Juan Guaidó por países aliados dos Estados Unidos e acusa o bloqueio de ativos financeiros venezuelanos no exterior. Segundo o texto, essas ações teriam impactado a produção de petróleo e o Produto Interno Bruto da Venezuela, com queda descrita pelo autor da declaração.


Stédile afirma que a reeleição de Nicolás Maduro foi contestada com apoio de setores políticos e campanhas digitais. Ele atribui essas campanhas a redes de comunicação e plataformas digitais vinculadas a interesses estadunidenses.


O texto também responsabiliza o governo do presidente Donald Trump por uma escalada militar no continente. Segundo Stédile, a operação de 3 de janeiro envolveu mobilização militar, confrontos e mais de 100 mortes. Ele afirma que a maioria dos militares envolvidos seria de origem latina e vinculada a unidades de elite.


Na mesma declaração, Stédile afirma que o governo venezuelano enfrenta limitações internas de substituição política após o sequestro de Maduro e de Cilia Flores. Ele também menciona que a oposição venezuelana não teria apoio social consistente, segundo sua avaliação.


O documento do MST afirma que o governo venezuelano mantém negociações sob pressão militar e econômica. O texto descreve esse cenário como parte de uma estratégia de coerção atribuída aos Estados Unidos.


Stédile rejeita interpretações de ruptura entre Venezuela e Cuba e afirma que tais leituras fazem parte de disputas políticas e comunicacionais. Ele também declara que o povo venezuelano permanece organizado em comunas e estruturas produtivas.


O dirigente menciona cooperação histórica entre o MST e organizações camponesas venezuelanas, incluindo projetos de produção agrícola e intercâmbio técnico. Ele cita ainda programas de formação médica vinculados à Escola Latino-Americana de Medicina.


Ao final da declaração, Stédile afirma que “defender a Venezuela e Cuba é uma obrigação moral e política para todas as forças progressistas e democráticas do nosso continente”. Ele também declara expectativa de mudanças na política externa dos Estados Unidos e menciona a necessidade de superação da Doutrina Monroe.

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