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Mudanças climáticas ampliam área de risco da dengue e pressionam sistemas de saúde nas Américas

A expansão da dengue nas Américas passou a atingir regiões dos Estados Unidos após o avanço do mosquito Aedes aegypti impulsionado pelas mudanças climáticas. A Organização Pan-Americana da Saúde alertou em 13 de maio de 2026 que a crise sanitária ameaça sistemas públicos, força de trabalho e economias nacionais em todo o continente. Enquanto governos ampliam gastos militares e operações de controle geopolítico, sistemas de saúde enfrentam déficit projetado de até 1 milhão de profissionais até 2030.


Aedes aegypti, mosquito da dengue ©ARQUIVO
Aedes aegypti, mosquito da dengue ©ARQUIVO

A Organização Pan-Americana da Saúde, braço regional da Organização Mundial da Saúde nas Américas, afirmou que a disseminação da dengue deixou de estar restrita às regiões tropicais e passou a atingir áreas dos Estados Unidos como Texas e Flórida. O alerta foi apresentado pelo diretor da entidade, Jarbas Barbosa, em entrevista divulgada pela ONU News em 13 de maio de 2026.


Segundo Barbosa, o avanço da dengue transformou-se em problema econômico e social ligado à deterioração estrutural dos sistemas de saúde no continente. “Sem saúde, não há força de trabalho; sem força de trabalho, a economia estagna”, declarou.


A Opas informou que o continente poderá enfrentar déficit entre 600 mil e 1 milhão de profissionais de saúde até 2030. O diretor da organização afirmou que o cenário pressiona hospitais públicos e compromete a capacidade de resposta diante de epidemias transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, chikungunya e zika.

“Estimamos que até 2030, o déficit de profissionais de saúde nas Américas possa atingir 600 mil ou mesmo 1 milhão de profissionais que faltarão nestes sistemas. Também apoiamos a melhoria dos recursos humanos em saúde na região por meio do nosso campus virtual de saúde pública”, afirmou Jarbas Barbosa.


Diante da falta de trabalhadores da saúde, a Opas passou a investir em formação digital por meio do campus virtual de saúde pública da entidade. O programa busca capacitar médicos e enfermeiros no manejo clínico da dengue e de outras doenças infecciosas em áreas atingidas pelos surtos.


A Opas também acompanha a ampliação da vacinação contra dengue em países da região. A organização informou que o objetivo é reduzir a pressão sobre sistemas públicos de saúde diante do aumento de casos registrados em diversos países americanos.


Jarbas Barbosa afirmou que a estratégia sanitária passou a incorporar novas tecnologias para reduzir a transmissão do vírus. Entre elas está o uso da bactéria Wolbachia, utilizada para impedir que o mosquito Aedes aegypti transmita dengue.


“Esta bactéria não traz qualquer problema para os seres humanos, mas quando infecta o mosquito, impede que o mosquito seja infectado pelo vírus da dengue”, declarou.


A estratégia apoiada pela Opas busca alterar o funcionamento biológico do mosquito em vez de depender apenas de campanhas de eliminação do vetor. Além da Wolbachia, a entidade mencionou uso de radiação para esterilização de mosquitos e expansão da produção regional de vacinas.


O Instituto Butantan, no Brasil, foi citado pela Opas como um dos centros responsáveis pela ampliação da capacidade regional de produção de imunizantes contra dengue. A organização informou que a produção local busca reduzir dependência externa em meio à pressão sobre sistemas públicos das Américas.


Apesar da incorporação de novas tecnologias, Jarbas Barbosa afirmou que a maioria dos focos do mosquito continua localizada em residências. Dados apresentados pela Opas indicam que entre 80% e 85% dos criadouros encontram-se dentro das casas.


“Entre 80% e 85% do foco do mosquito da dengue encontra-se nas casas das pessoas. Se cada família cuidar da sua casa e as autoridades cuidarem dos espaços públicos podemos ter uma redução importante da população de mosquitos e assim evitar surtos e epidemias de dengue”, afirmou.


As medidas indicadas pela Opas incluem limpeza de calhas, uso de areia em vasos de plantas e eliminação de recipientes com água parada. A organização sustenta que ações domésticas e políticas públicas locais precisam operar simultaneamente para reduzir transmissão do vírus.


Jarbas Barbosa também relacionou a crise da dengue às consequências deixadas pela pandemia de Covid-19 sobre os sistemas de saúde das Américas. Segundo ele, a pandemia demonstrou que colapsos sanitários produzem impactos econômicos diretos sobre produção, emprego e funcionamento das sociedades.


O diretor da Opas afirmou que investimentos em saúde pública devem ser tratados como elemento ligado ao desenvolvimento econômico. Segundo ele, o funcionamento do setor sanitário afeta desempenho econômico e capacidade operacional das sociedades.


A entidade declarou que sua estratégia regional envolve expansão da saúde digital, fortalecimento da atenção em saúde mental e preparação para futuras epidemias. A Opas defende aumento imediato de investimentos públicos em saúde diante da expansão das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti nas Américas.

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