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O mundo reage ao acordo EUA-Irã para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz

Irã e Estados Unidos assinaram em 18 de junho um memorando de entendimento que amplia por 60 dias o cessar-fogo estabelecido após meses de confrontos militares iniciados em fevereiro. O acordo foi formalizado eletronicamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, com mediação do Paquistão. O documento abre uma nova etapa de negociações sobre o programa nuclear iraniano, sanções econômicas e a situação do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de energia.


Exemplares do jornal diário iraniano Hamshahri, com uma imagem do presidente dos EUA e a manchete "E o vento levou", são exibidos em uma banca de jornal em Teerã | AFP
Exemplares do jornal diário iraniano Hamshahri, com uma imagem do presidente dos EUA e a manchete "E o vento levou", são exibidos em uma banca de jornal em Teerã | AFP

Segundo informações divulgadas por autoridades envolvidas nas negociações, o chamado "Memorando de Entendimento de Islamabad" entrou em vigor na quarta-feira, após a conclusão do processo de assinatura pelos chefes de Estado dos dois países. O governo paquistanês afirmou que atuou como mediador das conversações que resultaram na extensão da trégua.


De acordo com autoridades estadunidenses citadas pela Al Jazeera e pela Reuters, o documento prevê a reafirmação do compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares, a manutenção do cessar-fogo em todas as frentes de combate e a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem marítima utilizada por grande parte das exportações de petróleo da região do Golfo.


Os confrontos tiveram início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o território iraniano. Em 8 de abril, um cessar-fogo temporário interrompeu parte das operações militares. A nova extensão estabelece um período adicional de 60 dias para negociações envolvendo o programa nuclear iraniano, as sanções impostas por Washington e a possível liberação de ativos iranianos congelados no exterior.


Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que o governo iraniano acompanhará a implementação do acordo "sem qualquer leniência". Segundo ele, o Irã não cumprirá seus compromissos caso os Estados Unidos deixem de executar as obrigações assumidas.


Baghaei afirmou ainda que as negociações durante os próximos dois meses abordarão o programa nuclear iraniano e a retirada das sanções econômicas impostas por Washington. O representante iraniano também declarou que o programa de mísseis do país não será objeto de negociação.


O porta-voz acrescentou que Teerã não pretende transferir para o exterior suas reservas de urânio enriquecido e afirmou que os Estados Unidos possuem responsabilidade sobre o cumprimento dos compromissos assumidos por Israel no âmbito do acordo. Segundo Baghaei, o Irã e Omã trabalham na elaboração de um novo regime administrativo para o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas por serviços prestados na região.


Nos Estados Unidos, imagens divulgadas da cerimônia de assinatura realizada no Palácio de Versalhes mostraram Donald Trump comentando as dificuldades do processo diplomático antes da formalização do documento.


"Não foi fácil. Posso garantir isso", declarou o presidente dos Estados Unidos antes de assinar o memorando.


A assinatura provocou divergências dentro do próprio Partido Republicano. Parlamentares ligados à ala mais alinhada ao confronto com o Irã criticaram o acordo, argumentando que ele não impõe restrições suficientes ao programa nuclear iraniano e poderá gerar custos financeiros para o governo estadunidense.


Outros dirigentes republicanos apoiaram a iniciativa. O senador Roger Marshall classificou o entendimento como um acordo "vencedor" e afirmou que o memorando representa uma alternativa ao pacto nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, do qual os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018 sob decisão de Donald Trump.


O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, celebrou a assinatura do documento e destacou o papel desempenhado por Islamabad na mediação entre os dois países.


"O Memorando foi assinado pelos honoráveis presidentes de ambos os países e também endossado por mim como mediador. A assinatura deste acordo no mais alto nível dos respectivos governos demonstra o compromisso de ambos os lados com uma resolução diplomática do conflito", escreveu Sharif na rede X.


O governo suíço afirmou à Al Jazeera que considera a assinatura um passo para a redução das tensões regionais. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Suíça, representantes dos Estados Unidos, do Irã, do Paquistão, do Catar e de outros países envolvidos deverão reunir-se em Burgenstock para iniciar discussões sobre a implementação do acordo.


A Agência Internacional de Energia Atômica também manifestou apoio à iniciativa. O diretor-geral da entidade, Rafael Grossi, declarou que a assinatura do memorando marca o início da etapa operacional relacionada ao programa nuclear iraniano.


"É bom que o memorando exista. Agora começa o trabalho técnico", afirmou Grossi à Reuters.


Segundo o diretor-geral da AIEA, a agência pretende iniciar reuniões com representantes iranianos e estadunidenses para definir procedimentos concretos de supervisão e acompanhamento das atividades nucleares iranianas.


Na França, o presidente Emmanuel Macron divulgou imagens da cerimônia realizada em Versalhes e declarou que o acordo poderá contribuir para a estabilização do fluxo energético internacional por meio da reabertura do Estreito de Ormuz.


No Líbano, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o acordo como uma "grande vitória" e afirmou que futuras negociações envolvendo Israel e o Líbano devem limitar-se a questões de segurança.


"Parabenizamos o povo iraniano, sua liderança e todos aqueles que apoiam a liberdade por esta grande vitória", declarou Qassem durante pronunciamento televisionado.


O dirigente acrescentou que propostas voltadas ao desarmamento do Hezbollah não serão aceitas. "Qualquer proposta sob a bandeira do desarmamento não será aprovada", afirmou.


A China também manifestou apoio ao entendimento. Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que Pequim recebe de forma positiva a assinatura do acordo e espera que Estados Unidos e Irã conduzam as próximas negociações de maneira "racional e pragmática".


O Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que Moscou acolhe favoravelmente a extensão do cessar-fogo e acompanha os desdobramentos das negociações.


No Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi declarou que a implementação integral do memorando é necessária para restabelecer a navegação no Estreito de Ormuz. Segundo ela, Tóquio espera que as negociações permitam avanços sobre o programa nuclear iraniano e demais questões pendentes entre Teerã e Washington.

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