top of page

LINHA PRIMEIRA

SEGUNDA LINHA

LINHA PRIMEIRA

SEGUNDA LINHA

ONU repudia legalização de casamento infantil no Afeganistão

Relatores independentes do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas condenaram, em 4 de junho, um decreto das autoridades de facto do Afeganistão que legitima o casamento infantil. A norma estabelece a puberdade como critério para o casamento e permite que o silêncio de meninas seja interpretado como consentimento. A ONU afirma que a medida viola normas internacionais de proteção à infância e amplia restrições impostas às mulheres afegãs.


A ONU destacou que o casamento infantil expõe meninas à violência, à exploração sexual, à gravidez forçada, à interrupção da educação formal e a consequências físicas e psicológicas
A ONU destacou que o casamento infantil expõe meninas à violência, à exploração sexual, à gravidez forçada, à interrupção da educação formal e a consequências físicas e psicológicas

O Comitê dos Direitos da Criança (CRC) declarou que o decreto aprovado pelas autoridades que governam o Afeganistão cria mecanismos legais para reconhecer casamentos envolvendo meninas que atingiram a puberdade. Segundo os relatores independentes vinculados ao comitê, a legislação também estabelece que a ausência de manifestação de uma menina possa ser considerada consentimento para o casamento.


Em comunicado divulgado pelas Nações Unidas em 4 de junho, os especialistas classificaram a medida como uma violação do direito internacional e dos compromissos assumidos pelo Estado afegão em tratados relacionados aos direitos da criança e aos direitos humanos. O texto do decreto, segundo o CRC, cria uma distinção entre meninas já casadas após a puberdade e outras que venham a atingir essa fase, fornecendo uma base jurídica para a ampliação da prática.


Os relatores afirmaram que a puberdade não pode ser equiparada ao início da vida adulta nem utilizada como parâmetro legal para autorizar uniões matrimoniais. Para o comitê, qualquer estrutura normativa que permita, facilite ou normalize o casamento infantil constitui uma violação dos direitos das crianças.


A ONU destacou que o casamento infantil expõe meninas à violência, à exploração sexual, à gravidez forçada, à interrupção da educação formal e a consequências físicas e psicológicas. O organismo também apontou que a prática limita o acesso à participação social e reduz as possibilidades de autonomia econômica ao longo da vida.

O comunicado relaciona o decreto a um conjunto de medidas adotadas pelas autoridades afegãs desde o retorno do Talibã ao poder, em agosto de 2021, após a retirada militar estadunidense que encerrou duas décadas de ocupação iniciada em 2001. A intervenção militar liderada pelos Estados Unidos prometeu transformar as estruturas políticas e sociais do país, mas deixou como resultado um Estado dependente de financiamento externo, instituições fragilizadas e uma crise econômica que se aprofundou após a mudança de governo.


Os relatores do CRC afirmaram que a legalização do casamento infantil ocorre em um contexto marcado pela exclusão de mulheres e meninas de espaços educacionais e sociais. O comunicado cita a proibição do acesso feminino ao ensino secundário e ao ensino superior como parte de um conjunto de restrições que afetam milhões de afegãs.


Segundo a ONU, essas medidas retiram das meninas o acesso a direitos reconhecidos internacionalmente, restringem oportunidades econômicas e ampliam condições de pobreza. O organismo ressalta que a exclusão educacional e a imposição de barreiras legais às mulheres produzem impactos sobre toda a estrutura social do país.


Dados apresentados por agências das Nações Unidas indicam que famílias afegãs submetidas à crise econômica recorrem ao casamento infantil como forma de reduzir despesas domésticas. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) vêm alertando para o aumento da vulnerabilidade de meninas em regiões afetadas por desemprego, deslocamentos populacionais e insegurança alimentar.


O Comitê dos Direitos da Criança apelou às autoridades de facto do Afeganistão para que revoguem o decreto e todas as demais medidas que violem direitos infantis. O órgão também exigiu a proibição explícita do casamento infantil e a restauração do acesso das meninas à educação, à proteção jurídica, à igualdade perante a lei e à participação na vida social.


Os relatores responsáveis pelo comunicado atuam de forma independente dentro do sistema de direitos humanos das Nações Unidas e não recebem remuneração da organização pelo exercício de suas funções, conforme informado pela ONU News.

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

JORNAL CLANDESTINO

Se você está lendo

ainda há esperança

bottom of page