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Organização denuncia condições precárias para palestinas grávidas detidas em prisão de Israel

Três palestinas grávidas permanecem presas na penitenciária israelense de Damon sob condições que incluem superlotação, restrição de contato com familiares, escassez de produtos de higiene e acesso limitado a atendimento médico. Relatos obtidos pelo The New Arab junto a uma ex-detenta palestina e ao advogado Hassan Abadi apontam riscos à saúde das mulheres e dos fetos em meio ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina. Organizações de defesa dos direitos dos prisioneiros exigem a libertação imediata das detentas e cobram intervenção de organismos internacionais.


Imagem real restaurada por IA © Centro Palestino de Estudos sobre Prisioneiros
Imagem real restaurada por IA © Centro Palestino de Estudos sobre Prisioneiros

As denúncias ganharam novo impulso após um comunicado divulgado em 23 de junho pelo Clube dos Prisioneiros Palestinos (PPC), que classificou a manutenção das três mulheres na prisão como uma violação das proteções previstas pelo direito internacional humanitário, incluindo dispositivos da Quarta Convenção de Genebra relacionados à proteção de mulheres grávidas sob custódia.


As informações divulgadas pelo PPC e por representantes legais das detentas oferecem um retrato das condições existentes dentro da prisão de Damon, localizada no território ocupado por Israel. Segundo o advogado Hassan Abadi, baseado em Jerusalém e responsável por acompanhar casos de mulheres palestinas encarceradas, a situação na unidade se agravou após o início da ofensiva israelense contra Gaza.


"Atualmente, há cerca de 86 prisioneiras na prisão de Damon, a maioria delas da Cisjordânia e de Jerusalém", declarou Abadi ao The New Arab. De acordo com ele, aproximadamente dois terços dessas mulheres encontram-se sob detenção administrativa, mecanismo utilizado por Israel para manter palestinos presos sem acusação formal ou julgamento.


O isolamento imposto às detentas constitui um dos elementos centrais das denúncias apresentadas por advogados e organizações palestinas. Segundo Abadi, as mulheres estão privadas de visitas familiares há meses e não possuem acesso a meios de comunicação que permitam acompanhar acontecimentos externos ou manter contato com parentes.


"Eles estão privados de visitas familiares há meses e não têm acesso a notícias ou comunicação com suas famílias. As visitas de advogados continuam sendo o único elo com o mundo exterior", afirmou.


Uma ex-prisioneira palestina libertada após quase cinco meses de encarceramento em Damon relatou ao The New Arab que a ausência de contatos externos produzia efeitos psicológicos constantes entre as detentas. "Não havia visitas, nem notícias, e não havia como saber o que estava acontecendo lá fora. O mais doloroso foi perder completamente a noção de tempo e realidade", declarou.


A ex-detenta descreveu um ambiente marcado por superlotação e falta de privacidade. Segundo seu relato, algumas mulheres eram obrigadas a dormir no chão devido à insuficiência de camas disponíveis. "Não havia privacidade, e até mesmo as rotinas diárias mais básicas se tornaram exaustivas", afirmou.


Ela também relatou escassez de produtos de higiene destinados às mulheres encarceradas. "Não tínhamos quase nada, especialmente nós, mulheres. Cada dia era uma luta para sobreviver", acrescentou.


Segundo o testemunho, invasões noturnas, revistas sucessivas e operações de inspeção realizadas por agentes penitenciários criavam um ambiente de pressão constante. "Era um isolamento completo da vida normal", declarou.


Entre as três mulheres grávidas atualmente detidas está Amina Shaher al-Taweel, de 37 anos, residente em Qalqilya, mãe de quatro filhos e grávida de quatro meses. Segundo o PPC, ela está presa desde 18 de março sob acusação de incitação ao ódio.


A segunda detenta é Dana Anad Joudah, de 35 anos, natural de Nablus, mãe de uma criança e grávida de cinco meses. Ela foi detida em 18 de abril e permanece presa sob uma ordem de detenção administrativa com duração de seis meses.


A terceira mulher identificada pelo PPC é Manar Ibrahim, de 28 anos, residente em Ramallah, mãe de dois filhos e grávida de quatro meses. Ela está presa desde o final de abril sob alegações relacionadas a publicações realizadas em redes sociais.


Segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos, as três mulheres estão submetidas ao mesmo regime imposto às demais presas palestinas, incluindo revistas íntimas, confisco de pertences pessoais, isolamento durante interrogatórios, invasões de celas e medidas disciplinares coletivas.


A organização também denunciou que as mulheres enfrentam dificuldades para acessar atendimento médico compatível com a gravidez. O PPC afirma que a manutenção dessas condições coloca em risco tanto as detentas quanto os fetos.


Abadi relatou que a seção destinada às mulheres grávidas apresenta problemas estruturais ligados à superlotação. "Há três mulheres grávidas e três outros detidos em um quarto com apenas duas camas, o que obriga alguns deles a dormir no chão", disse.


O advogado também descreveu deficiência de ventilação, escassez de produtos de higiene feminina e ausência de suprimentos relacionados à saúde das mulheres.


Segundo ele, a alimentação fornecida pela administração prisional constitui outro fator de preocupação. As refeições oferecidas às detentas seriam compostas principalmente por leguminosas e preparações básicas, sem fornecimento de proteínas e nutrientes necessários durante a gravidez. "Isso levanta sérias preocupações quanto à saúde tanto das mães quanto dos fetos", afirmou.


As denúncias sobre Damon surgem em um contexto de ampliação das detenções de mulheres palestinas desde outubro de 2023. Dados divulgados pelo Clube dos Prisioneiros Palestinos indicam que mais de 765 mulheres palestinas foram detidas por forças israelenses nesse período.


Entre as mulheres presas estão estudantes, jornalistas, advogadas, professoras, mães, menores de idade e idosas. Organizações de direitos humanos apontam que a expansão das detenções foi acompanhada pelo aumento do uso da detenção administrativa e pela deterioração das condições de encarceramento.


O Clube dos Prisioneiros Palestinos solicitou que Israel assuma responsabilidade pela integridade física das três mulheres grávidas e exigiu sua libertação imediata ou a garantia de acesso a tratamento médico adequado. A entidade também pediu intervenção do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e dos relatores especiais das Nações Unidas, alertando para os riscos enfrentados pelas detentas e pelos filhos que carregam durante a gravidez.

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