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Parlamento do Nepal em chamas após renúncia do premiê Sharma Oli em meio a onda de protestos

O Parlamento do Nepal, localizado em Katmandu, foi incendiado nesta terça-feira (9) por manifestantes que desafiaram o recolher obrigatório imposto pelo governo. A revolta popular ganhou força após a renúncia do primeiro-ministro Sharma Oli, 73 anos, pressionado por protestos contra o bloqueio de redes sociais e denúncias de corrupção que já deixaram 19 mortos e centenas de feridos.


©LUSA
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Segundo Ekram Giri, porta-voz da assembleia, “centenas de pessoas invadiram o recinto do Parlamento e incendiaram o edifício principal”. Imagens divulgadas em redes sociais mostraram densa fumaça encobrindo o centro da capital, enquanto jovens marchavam pelas ruas atacando prédios públicos e residências de políticos. A casa oficial de Oli também foi incendiada.


Os confrontos começaram na segunda-feira (8), quando forças de segurança abriram fogo contra milhares de manifestantes que exigiam o fim da censura digital e cobravam responsabilidade do governo pelas acusações de enriquecimento ilícito entre a elite política. Apesar de o bloqueio das plataformas ter sido suspenso horas antes da renúncia, a tensão não arrefeceu.


Na carta enviada ao presidente do país, Oli afirmou que deixava o cargo para permitir “uma saída política à crise”. Sua renúncia ocorre após a debandada de três ministros, incluindo o do Interior. A repressão, no entanto, alimentou ainda mais a indignação popular. “Cerca de vinte pessoas foram assassinadas pelo Estado”, criticou o estudante Yujan Rajbhandari, de 23 anos.


Oli, figura central da política nepalesa desde a guerra civil que culminou na queda da monarquia em 2008, comandava uma coligação que reunia seu Partido Comunista e setores de centro-direita. Ao longo das últimas décadas, alternou mandatos como chefe de governo em 2015, 2018, 2021 e novamente em 2024.


O estopim da crise foi o bloqueio das redes sociais anunciado na semana passada, respaldado por decisão do Supremo Tribunal em 2023. O governo exigia que plataformas internacionais mantivessem representantes locais responsáveis por fiscalizar conteúdos. A medida, porém, foi vista pela população como tentativa de silenciamento em um país marcado por altos índices de desemprego e desigualdade social.


Com o colapso político, manifestantes celebraram a queda do premiê. “O governo caiu, os jovens venceram e assumiram o controle do país”, declarou Sudan Gurung, um dos participantes dos protestos. Ainda não está claro como será conduzida a transição de poder, enquanto a violência expõe a fragilidade das instituições democráticas nepalesas.


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