Petro acusa Trump de interferência eleitoral e convoca colombianos a defender a soberania
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- 4 de jun.
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O presidente colombiano Gustavo Petro condenou as declarações do presidente estadunidense Donald Trump em apoio ao candidato Abelardo de la Espriella e contra a candidatura do senador Iván Cepeda. Petro afirmou que a população colombiana deve decidir seu futuro sem interferência externa. O episódio provocou reações de integrantes do governo, lideranças políticas e cidadãos ouvidos em Bogotá.

O debate sobre soberania nacional ganhou novo impulso na Colômbia após declarações públicas de Donald Trump em favor do advogado Abelardo de la Espriella, candidato à Presidência, e contra Iván Cepeda, senador do Pacto Histórico e integrante da Aliança pela Vida. A manifestação do presidente estadunidense foi respondida pelo presidente colombiano Gustavo Petro na terça-feira, 2 de junho.
“Quando um país interfere nas decisões de outro, a liberdade morre. Convido toda a Colômbia a votar livremente e a não se tornar escrava ou colônia de ninguém”, declarou Petro. Ao defender a autodeterminação nacional, o presidente recordou as lutas de independência lideradas por Simón Bolívar e Antonio Nariño e afirmou que a preservação da liberdade e da soberania constitui uma questão central para o país.
A reação do governo colombiano não se limitou à Presidência. O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Multilaterais, Mauricio Jaramillo Jassir, classificou a manifestação de Trump como “um ataque à Colômbia”. Segundo Jassir, a declaração representa uma agressão “às instituições, ao povo e à soberania”.
Iván Cepeda também respondeu às declarações do presidente estadunidense. O senador afirmou que a Colômbia “não é protetorado nem colônia” e defendeu a mobilização política em torno da soberania nacional. Em suas manifestações públicas, Cepeda criticou setores ligados ao uribismo e associou seu adversário político a posições contrárias aos processos de diálogo e paz desenvolvidos no país ao longo das últimas décadas.
O ex-presidente Ernesto Samper, que governou a Colômbia entre 1994 e 1998 e integra a Aliança pela Vida, também se pronunciou sobre o episódio. Samper classificou o apoio de Trump a Abelardo de la Espriella como uma intervenção nos assuntos internos colombianos e declarou que a resposta deveria ocorrer por meio da participação eleitoral. Segundo ele, a defesa da soberania nacional está representada na candidatura de Iván Cepeda.
A controvérsia teve origem após Trump divulgar mensagem na qual parabenizou Abelardo de la Espriella por sua vitória no primeiro turno das eleições presidenciais colombianas. Na publicação, o presidente estadunidense descreveu o candidato como “um líder inteligente, forte e determinado” e afirmou que ele teria condições de conduzir a Colômbia ao crescimento econômico, à geração de empregos, à ampliação do comércio e ao combate ao crime e ao narcotráfico.
Trump também declarou que o segundo turno, marcado para 21 de junho, colocará Abelardo de la Espriella diante de um “marxista de esquerda radical”, referência a Iván Cepeda. Em seguida, afirmou que o resultado da eleição terá impacto sobre as relações entre a Colômbia e os Estados Unidos e concluiu dizendo ser “uma honra conceder a Abelardo meu apoio total e irrestrito”.
A manifestação recebeu resposta pública de Abelardo de la Espriella em 3 de junho. O candidato agradeceu o apoio e declarou que pretende integrar a Colômbia à iniciativa denominada Escudo das Américas, apresentada como uma coalizão militar e policial liderada pelos Estados Unidos para atuar em temas relacionados à migração, ao narcotráfico e à influência chinesa no continente.
Em mensagem publicada em espanhol e inglês, De la Espriella afirmou reconhecer em Trump “um líder de resolução inabalável” e declarou compartilhar a defesa da propriedade privada e do livre comércio. O candidato também defendeu a formação de uma frente política contra o comunismo e manifestou apoio à Aliança do Escudo das Américas.
As declarações repercutiram nas ruas de Bogotá. Entrevistados pela reportagem manifestaram oposição à participação de Trump no processo eleitoral colombiano. Luis Carlos Florez Oliveira, trabalhador da Ecopetrol, afirmou que os Estados Unidos devem respeitar a soberania da Colômbia e de outros países. Segundo ele, a política externa estadunidense tem histórico de intervenções voltadas à defesa de interesses econômicos.
A empresária do setor hoteleiro Diana Patricia Rojas declarou que Trump exerce pressão política em favor do candidato que considera mais alinhado aos seus interesses. Para ela, a escolha dos governantes colombianos deve ser definida exclusivamente pelos cidadãos do país.
José Luis Galiodo, trabalhador do setor de mineração subterrânea, afirmou que a soberania nacional está prevista na Constituição colombiana e deve ser respeitada. Ele também relacionou a posição de Trump a medidas adotadas contra países como Venezuela e Cuba, apontando que tais iniciativas respondem a interesses econômicos e empresariais.
O servidor da área de saúde Jhon Garrido Barros declarou que a interferência estadunidense ocorre em diversos países e associou essa atuação à busca por influência política e econômica. Barros afirmou que a Colômbia possui recursos naturais estratégicos e sustentou que governos liderados por Gustavo Petro e, eventualmente, por Iván Cepeda, não deveriam aceitar ingerência estrangeira sobre decisões soberanas.

































