Produção global de pescas e aquacultura atinge novos máximos e rivaliza com o comércio de carne terrestre
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- 18 de jun.
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A produção mundial de pescas e aquacultura alcançou 235 milhões de toneladas em 2024, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 17 de junho. Pela primeira vez, a produção de animais aquáticos oriundos da aquacultura ultrapassou a marca de 100 milhões de toneladas, consolidando a expansão desse modelo produtivo na oferta global de alimentos. Embora a disponibilidade média de produtos aquáticos tenha aumentado, o relatório aponta diferenças entre continentes, com o consumo africano permanecendo abaixo da metade da média mundial.

O levantamento da FAO, intitulado “O Estado Mundial das Pescas e da Aquacultura”, registra novos máximos tanto na produção quanto no comércio internacional de produtos aquáticos. De acordo com o documento, o valor global das transações comerciais do setor atingiu US$ 184 bilhões em 2024, aproximando-se dos níveis observados no comércio internacional de carne terrestre.
A produção global de pescas e aquacultura alcançou 235 milhões de toneladas no período analisado. Desse total, 195 milhões de toneladas corresponderam à produção de animais aquáticos destinados ao abastecimento de mercados consumidores em diferentes regiões do planeta.
Segundo a FAO, 89% da produção total foi direcionada ao consumo humano. Os alimentos de origem aquática forneceram pelo menos um quinto da proteína animal consumida por 3,1 bilhões de pessoas em todo o mundo, demonstrando o peso do setor na segurança alimentar de diversos países.
O relatório informa ainda que aproximadamente 600 milhões de pessoas dependem direta ou indiretamente das atividades ligadas à pesca e à aquacultura para obtenção de renda e subsistência. A distribuição dessa atividade econômica, entretanto, ocorre de forma desigual entre países centrais e periféricos da economia mundial, refletindo padrões históricos de acesso a recursos naturais, infraestrutura produtiva e mercados consumidores.
A publicação destaca que a produção proveniente da aquacultura ultrapassou pela primeira vez 100 milhões de toneladas em 2024. O dado representa uma mudança estrutural no abastecimento global de proteína aquática, com sistemas de cultivo assumindo parcela crescente da produção anteriormente associada à pesca extrativa.
O crescimento da oferta elevou a disponibilidade média global de alimentos aquáticos. Em 2023, a disponibilidade per capita foi de 21,1 quilos por habitante. Em 2024, a FAO estima que esse índice tenha alcançado 21,3 quilos por pessoa.
Apesar do aumento da disponibilidade média, os dados revelam diferenças entre regiões. Na Ásia, o consumo anual alcançou 26,3 quilos por habitante. Na África, o indicador permaneceu em 9,1 quilos por pessoa, menos da metade da média mundial registrada pela organização.
A FAO relaciona essas diferenças a fatores econômicos, produtivos e comerciais que influenciam o acesso da população aos alimentos de origem aquática. Enquanto parte da produção é direcionada aos mercados com maior capacidade de compra, regiões que enfrentam limitações de renda, infraestrutura e abastecimento mantêm níveis inferiores de consumo.
O documento também registra pressões sobre o setor decorrentes das mudanças climáticas, da degradação ambiental, de oscilações econômicas e de transformações geopolíticas que afetam cadeias produtivas, áreas de captura e sistemas de abastecimento.
Entre as projeções apresentadas pela organização, está a possibilidade de redução superior a 10% da biomassa pesqueira explorável até 2050 em diversas regiões do mundo. A estimativa está associada às alterações ambientais observadas em ecossistemas marinhos e em águas continentais.
A FAO afirma que a expansão dos sistemas de produção aquática deve ocorrer em conjunto com políticas de gestão dos recursos naturais. O relatório aponta que a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos e de águas interiores está diretamente relacionada à capacidade dos países de preservar estoques pesqueiros e manter condições ambientais para reprodução das espécies exploradas economicamente.
No prefácio da publicação, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, relacionou a produção alimentar à preservação dos ecossistemas aquáticos. “O relatório demonstra que, mais do que nunca, um planeta saudável requer oceanos e águas interiores saudáveis”, escreveu.
O dirigente acrescentou que é necessário “assegurar todos os esforços necessários para inverter o declínio da sustentabilidade e garantir o potencial a longo prazo do setor para as gerações futuras”, segundo a publicação divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura em 17 de junho.

































