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Quem é Alireza Arafi, o clérigo elevado ao conselho de liderança após o martírio de Khamenei

O Irã anunciou neste domingo a formação de um conselho de liderança para conduzir o país após o martírio de Khamenei. O porta-voz do Conselho de Discernimento da Conveniência informou que o sheikh Ali Reza Arafi foi selecionado como integrante do órgão de transição. A medida foi divulgada pela rede Al Mayadeen às 12h57 (horário local), com base em fontes oficiais iranianas. Segundo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, os procedimentos constitucionais “estão seguindo normalmente”. A reorganização institucional ocorre após a televisão iraniana confirmar, no sábado, que o líder da Revolução Islâmica foi morto em seu escritório na “Casa da Liderança”, em decorrência de agressão americano-israelense.


De acordo com o porta-voz do Conselho de Discernimento da Conveniência do Poder, o sheikh Ali Reza Arafi passa a integrar o conselho que assumirá interinamente as funções de liderança até a escolha formal de um sucessor. A decisão foi tomada conforme os mecanismos previstos na Constituição iraniana para situações de vacância do cargo máximo da República Islâmica.


Alireza Arafi
Alireza Arafi


Biografia – Alireza Arafi

Alireza Arafi (nascido em 1959 na cidade de Meybod, província de Yazd, Irã) é um clérigo xiita, jurista e figura política de destaque na hierarquia teológica e estatal da República Islâmica do Irã. Reconhecido como mujtahid com especialização em jurisprudência islâmica (fiqh) e filosofia, Arafi construiu sua carreira sob a tutela e confiança do líder supremo martirizado, Ali Khamenei, e emergiu como uma das principais lideranças iranianas. Sua trajetória combina autoridade religiosa, gestão educacional e influência política dentro das instituições centrais do Estado iraniano.


Arafi vem de uma família clerical de Meybod, tradicionalmente retratada pela mídia estatal iraniana como próxima ao início da Revolução Islâmica de 1979. Ainda jovem, ele se mudou para Qom em 1969 para estudos religiosos no seminário (hawza), onde foi formado por influyentes mestres xiitas como os aiatolás Ali Meshkini, Mohammad Fazel Lankarani, Mehdi Haeri Yazdi, Hossein Vahid Khorasani e Abdollah Javadi Amoli.


Em 1992, apenas com 33 anos, foi nomeado líder da oração de sexta-feira em Meybod. Em 2015, foi transferido para Qom para liderar a oração de sexta-feira na principal cidade religiosa do país.


Em 2009, Arafi assumiu a presidência da Universidade Internacional Al-Mustafa, instituição criada para centralizar, coordenar e expandir a educação clerical xiita, incluindo a formação de seminaristas não iranianos. A universidade se tornou um centro chave para a projeção internacional da República Islâmica, com dezenas de milhares de estudantes estrangeiros acumulados ao longo dos anos. Arafi defendeu publicamente que os seminários devem ser “do povo, solidários com os oprimidos, políticos, revolucionários e internacionais”, refletindo uma visão ideológica alinhada com os objetivos estratégicos do regime.


Em julho de 2016, sua autoridade cresceu ainda mais quando foi nomeado chefe de todos os seminários religiosos do país. Três anos depois, em julho de 2019, entrou para o Conselho dos Guardiães, órgão constitucional com poder de vetar legislação e supervisionar eleições, consolidando sua posição entre os clérigos mais influentes da República Islâmica.


Apesar de sua trajetória ascendente dentro da estrutura clerical, Arafi enfrentou uma derrota política marcante em fevereiro de 2016, quando concorreu — sem sucesso — à Assembleia de Peritos pelo distrito de Teerã. Ainda assim, seu papel institucional permaneceu indiscutível, sendo escolhido para representar a continuidade do sistema religioso-político iraniano.


No plano internacional, Arafi tem servido como um rosto diplomático da teocracia iraniana em encontros com autoridades estrangeiras e visitas oficiais, inclusive em momentos de crise. Ele tem defendido explicitamente o fortalecimento das defesas militares iranianas e expressado apoio às Forças Armadas e à Guarda Revolucionária em discursos públicos.


Com o martírio do líder Ali Khamenei em um ataque conjunto conduzido por forças estadunidenses e israelenses em 28 de fevereiro de 2026, Arafi foi rapidamente nomeado membro do conselho de liderança transitória que assumiu as funções da liderança máxima do país, ao lado do presidente e do chefe do Judiciário, até que um novo sucessor seja escolhido conforme os procedimentos constitucionais iranianos .


Arafi permanece uma figura central no futuro político do Irã, projetado tanto como porta-voz da continuidade institucional quanto como potencial candidato a posições ainda mais elevadas dentro da república, refletindo décadas de ascensão cuidadosamente construída sob o patrocínio de Khamenei.



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