Surto de Ebola na República Democrática do Congo pode se tornar o pior da história
- www.jornalclandestino.org

- 17 de jun.
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O surto de Ebola em curso na República Democrática do Congo alcançou 837 casos confirmados e 196 mortes. Autoridades de saúde e organismos continentais alertam para dificuldades no rastreamento de contatos e no controle da transmissão. O avanço ocorre em meio à escassez de recursos e limitações na resposta sanitária.

O governo da República Democrática do Congo informou em 16 de junho de 2026 que o número de infecções chegou a 837, com 196 mortes registradas. Os dados foram divulgados no mesmo período em que lideranças da saúde continental relataram risco de expansão do surto. O chefe dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, Africa CDC, Jean Kaseya, declarou que o quadro pode ultrapassar o impacto do surto histórico que matou mais de 11.000 pessoas na África Ocidental e no leste do Congo.
Kaseya afirmou em reunião virtual com líderes africanos e doadores internacionais no Burundi: “Se não conseguirmos conter o surto muito em breve, será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no leste da República Democrática do Congo”. Ele informou que mais de 26.000 pessoas consideradas expostas não foram localizadas, o que afeta o rastreamento de contatos.
“O rastreamento de contatos é um indicador importante e um problema grave. Estamos com mais de 26.000 pessoas desaparecidas, e não sabemos onde elas estão, nem se estão contaminando outras pessoas”, disse Kaseya em entrevista à Al Jazeera.
O gerente de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Cruz Vermelha Bruno Michon, afirmou que o surto não atingiu o pico e projetou duração prolongada. Ele declarou: “Tememos que possa levar um ano para acabar com essa doença”.
Autoridades sanitárias relatam que a resposta enfrenta falta de centros de tratamento e resistência de comunidades locais às medidas de higiene. O governo da República Democrática do Congo informou que, mais de um mês após a declaração do surto, a dimensão total ainda não foi determinada.
Organismos de saúde apontam que enterros sem protocolos de segurança seguem como vetor de transmissão, devido ao contato direto com corpos infectados. A Organização Mundial da Saúde informou que não há tratamento ou vacina aprovada para esta cepa e que o desenvolvimento de imunização pode levar até nove meses.
O presidente do Burundi e da União Africana, Évariste Ndayishimiye, informou que o continente arrecadou menos de um quinto dos 518 milhões de dólares solicitados para resposta ao surto.
O país vizinho, Uganda, registrou 19 casos, sendo 14 em pessoas que viajaram da República Democrática do Congo, com duas mortes confirmadas.

































