Temores de agravamento da malária em áreas com surtos de Ebola na República Democrática do Congo
- www.jornalclandestino.org

- 3 de jul.
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O avanço do surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo tem aumentado a preocupação de autoridades de saúde com o crescimento de mortes provocadas por malária e outras doenças. Segundo informações divulgadas pela Reuters, o receio de contaminação tem levado parte da população a evitar hospitais e centros de saúde, dificultando o diagnóstico e o tratamento de enfermidades que continuam circulando na região. O cenário ocorre em meio às limitações estruturais do sistema de saúde e aos impactos da violência que afeta o leste do país.

De acordo com médicos e representantes de organismos nacionais e internacionais de saúde citados pela Reuters, a resposta ao surto enfrenta obstáculos em áreas marcadas por deficiências históricas nos serviços médicos, dificuldades para a distribuição de assistência humanitária e problemas de segurança relacionados aos confrontos armados. Esses fatores reduzem a capacidade de atendimento e comprometem as ações de vigilância epidemiológica.
Outro desafio apontado pelas autoridades sanitárias é a semelhança entre os sintomas iniciais do Ebola e da malária, principalmente a febre. Essa sobreposição dificulta a identificação rápida dos casos e aumenta a possibilidade de atrasos no tratamento. Em situações suspeitas, alguns profissionais evitam realizar exames diretos antes da adoção de protocolos de segurança, devido ao risco de contato com fluidos corporais de pacientes eventualmente infectados pelo vírus Ebola.
As autoridades de saúde informaram que existem indícios iniciais de aumento de casos de malária nas áreas afetadas pelo surto. Em resposta, o governo da República Democrática do Congo, o Fundo Global e a Fundação Gates trabalham para ampliar o envio de medicamentos antimaláricos às regiões atingidas. As equipes também estudam campanhas de tratamento em massa, com distribuição domiciliar de medicamentos para reduzir a transmissão da malária e evitar que a doença sobrecarregue ainda mais o sistema de saúde durante o enfrentamento do Ebola.
A coordenadora de emergências de saúde da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho em Bunia, Emi Mbonda, afirmou que aproximadamente metade das pessoas que apresentam sintomas pode deixar de procurar atendimento. Segundo ela, muitos moradores observam pacientes com febre entrando em unidades de saúde e não retornando, o que alimenta o receio da população em buscar assistência médica.
As informações reunidas pela Reuters indicam que o surto ocorre em um contexto marcado pela coexistência de doenças infecciosas, deslocamentos populacionais e insegurança no leste da República Democrática do Congo. Nesse cenário, as iniciativas das autoridades sanitárias concentram-se na ampliação do acesso a medicamentos, no fortalecimento das equipes de saúde e na recuperação da confiança da população nos serviços médicos para ampliar a detecção e o tratamento dos casos.

































