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SEGUNDA LINHA

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Turquia afirma que a OTAN está se adaptando ao cenário de segurança

A Turquia afirmou que o governo estadunidense não pretende deixar a OTAN, mas busca ampliar a participação dos países europeus e do Canadá na segurança do continente. A declaração foi feita pelo ministro da Defesa da Turquia, Yasar Guler, em entrevista por escrito à Reuters antes da cúpula da aliança marcada para os dias 7 e 8 de julho, em Ancara. O encontro ocorrerá em meio à redistribuição das prioridades militares do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às divergências entre aliados sobre financiamento, presença militar e divisão de responsabilidades.


Recep Tayyip Erdoğan
Recep Tayyip Erdoğan

Segundo Yasar Guler, a OTAN atravessa um processo de adaptação diante das mudanças no cenário internacional e continua sendo o principal mecanismo de coordenação militar entre seus integrantes. O ministro afirmou que Washington não tem intenção de abandonar a aliança, mas pretende que os governos europeus e o Canadá assumam parcela maior dos custos e das responsabilidades relacionadas à defesa da Europa.


"A OTAN continua sendo uma plataforma fundamental e sem paralelo para a segurança e a defesa euro-atlânticas. Avaliamos o período que estamos atravessando não como uma crise, mas como um processo de adaptação ao ambiente de segurança em constante mudança", declarou Guler à Reuters.


A cúpula reunirá 32 chefes de Estado e de governo da OTAN, além de representantes dos países do Golfo e da região Ásia-Pacífico. Entre os temas previstos na agenda estão o aumento dos investimentos militares, o fortalecimento da indústria de defesa integrada da aliança, a reafirmação da cooperação entre os membros e a continuidade do apoio militar à Ucrânia.


Nos últimos meses, o governo estadunidense promoveu a retirada de tropas, aeronaves, navios e equipamentos militares estacionados na Europa. As medidas ocorreram em meio às divergências entre Washington e aliados da OTAN sobre repartição de despesas militares, metas de investimento em defesa e críticas do governo estadunidense ao nível de participação dos parceiros na reabertura do Estreito de Ormuz.


Guler afirmou que os contatos para fortalecer a participação dos países europeus dentro da estrutura militar da OTAN deverão avançar durante a reunião de Ancara.


"Espera-se que os contatos e os esforços para criar um roteiro concreto para fortalecer o pilar europeu se intensifiquem na Cúpula", afirmou o ministro, acrescentando que a Turquia apoia uma distribuição mais equilibrada das responsabilidades entre os integrantes da aliança, mantendo como prioridade a preservação da unidade do bloco militar.


O ministro também declarou que o papel desempenhado pelos Estados Unidos continua sendo central na estrutura estratégica da organização.


"Os atuais acordos de compartilhamento nuclear da OTAN e o papel dos EUA na dissuasão ampliada continuam sendo fundamentalmente importantes para a segurança da Aliança", afirmou.


As discussões sobre o futuro da OTAN ocorrem enquanto governos europeus analisam alternativas para reduzir a dependência da estrutura militar comandada pelos Estados Unidos diante da possibilidade de novas reduções da presença militar estadunidense no continente.


A Turquia mantém o segundo maior efetivo militar da OTAN e ampliou sua produção nacional de equipamentos militares nos últimos anos, reduzindo parte da dependência de fornecedores externos. Apesar disso, Ancara permanece fora de diversas iniciativas de defesa organizadas pela União Europeia em razão de divergências políticas entre o governo turco e alguns países do bloco europeu.


Para Guler, os projetos europeus de fortalecimento da defesa deixam de alcançar seus objetivos ao excluir a participação turca.


"Acreditamos que excluir uma capacidade tão importante (a Turquia) das iniciativas de defesa da Europa é uma abordagem estrategicamente imprecisa", declarou, acrescentando que Ancara espera que os governos europeus adotem uma "abordagem visionária" em relação à cooperação com a Turquia.


No ano passado, os integrantes da OTAN aprovaram a meta de elevar os investimentos militares para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035. Segundo Guler, a Turquia mantém compromisso com esse objetivo e pretende cumprir todas as metas de capacidade militar estabelecidas para 2029.


O ministro informou que os investimentos do governo turco concentram-se em drones, sistemas de combate a drones, defesa aérea, defesa antimísseis, projetos navais, plataformas não tripuladas e capacidades cibernéticas. Ele afirmou ainda que o sistema integrado de defesa aérea denominado "Cúpula de Aço" deverá ser concluído "o mais rápido possível".


A defesa antimísseis permanece entre as prioridades de Ancara porque o país ainda não possui um sistema nacional dessa categoria e depende dos equipamentos e da estrutura militar da OTAN para parte dessa capacidade.


Segundo Guler, o governo turco analisa diferentes alternativas para suprir essa demanda, incluindo uma possível aquisição dos sistemas Patriot junto ao governo estadunidense ou dos sistemas SAMP-T desenvolvidos em parceria entre França e Itália.


"Nossa abordagem central sobre essa questão é clara: estamos abertos a toda cooperação que atenda às necessidades de segurança do nosso país, incluindo o compartilhamento de tecnologia e a produção conjunta, e que seja sustentável e esteja em consonância com o espírito da aliança", declarou Guler.


O ministro acrescentou que as conversas técnicas e políticas com os governos envolvidos continuam ocorrendo "de tempos em tempos".

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