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Vidas em risco na RDCongo enquanto o surto de Ebola continua a superar a capacidade de resposta

O surto de Ebola na República Democrática do Congo continua com expansão de casos enquanto a resposta humanitária e sanitária não acompanha a velocidade da transmissão. A Organização Mundial da Saúde afirma que houve ampliação da capacidade de testes e tratamento desde o início da crise, mas aponta restrições operacionais no terreno. O número de casos confirmados já ultrapassa mil, com mortes registradas também em Uganda.


Uma epidemia de ebola está ativa na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma emergência de saúde pública | ARQUIVO
Uma epidemia de ebola está ativa na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto como uma emergência de saúde pública | ARQUIVO

Em 24 de junho de 2026, em coletiva em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que “mais de um mês após o início do surto, os profissionais da linha de frente expandiram o atendimento e os testes em uma velocidade sem precedentes, mas as condições no terreno continuam desafiadoras”.


Segundo a OMS, desde a notificação inicial há cerca de cinco semanas, a capacidade de tratamento passou de menos de 10 leitos para mais de 500, distribuídos em 19 centros de saúde. A capacidade de testagem saiu de 30 exames diários em Kinshasa para mais de 2.000 testes por dia em nove laboratórios instalados em três províncias.


Tedros afirmou que comunidades passaram a buscar mais informações e apoio para prevenção. Ele declarou: “Cada vez mais comunidades estão se conscientizando dos riscos do Ebola e solicitando ferramentas e apoio para se protegerem”. A agência informou mais de 100 recuperações registradas no período.


Os dados mais recentes indicam 1.094 casos confirmados e 277 mortes na República Democrática do Congo. Em Uganda, foram registrados 20 casos confirmados e duas mortes associadas ao mesmo surto.


A OMS e parceiros anunciaram preparação de ensaio clínico na próxima semana na República Democrática do Congo para avaliar os antivirais MBP134 e remdesivir no tratamento da doença por vírus Bundibugyo. Tedros afirmou: “Poderíamos salvar muito mais vidas com terapias”.


O plano inclui consulta com comunidades locais e estrutura para distribuição de tratamentos caso haja eficácia comprovada. As autoridades sanitárias indicaram necessidade de medidas de comunicação de risco e prevenção de infecções para equipes de campo.


Na quarta-feira, um trabalhador humanitário da ONG médica ALIMA testou positivo para Ebola após missão na República Democrática do Congo. A OMS registrou cerca de 80 profissionais de saúde infectados durante o surto e afirmou que o caso se insere no risco enfrentado por equipes na linha de frente.


A agência informou que o rastreamento de contatos permanece insuficiente, centros de tratamento operam no limite, e práticas de sepultamento seguro enfrentam restrições operacionais. Incidentes de segurança e barreiras de acesso afetam deslocamento de equipes em áreas atingidas.


A OMS e os Africa Centres for Disease Control and Prevention lançaram plano conjunto de preparação e resposta com solicitação de 518 milhões de dólares para ações na República Democrática do Congo e países vizinhos, com previsão de atualização dos dados de financiamento na semana seguinte.

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