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LINHA PRIMEIRA

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What the f*** /// Trump delira com guerra enquanto o Irã se torna novo Vietnã para os EUA

A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã entrou em seu 33º dia em 1º de abril de 2026, marcada por contradições públicas do presidente Donald Trump sobre seus próprios objetivos.


Em declaração à imprensa, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos podem abandonar a ofensiva em poucas semanas, desde que o Irã seja incapacitado militarmente:


“Quando sentirmos que eles estão presos na Idade da Pedra por um longo período e não serão capazes de desenvolver uma arma nuclear, então nós iremos embora”.

A fala sintetiza a ambiguidade da política estadunidense, que combina ameaças de destruição massiva com a ausência de um plano claro de saída.



Apesar do discurso de desescalada, o Washington Post revelou que o Pentágono avalia operações terrestres caso Trump decida ampliar o conflito. Paralelamente, o Wall Street Journal informou que os Emirados Árabes Unidos pressionam por uma intervenção militar direta para reabrir à força o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O parcial bloqueio imposto por Teerã transformou o estreito em epicentro de uma crise energética de alcance global.


O analista Ali Vaez, em entrevista ao programa Democracy Now!, afirmou que o cálculo inicial da Casa Branca falhou ao subestimar a capacidade de resposta iraniana. “Esta guerra começou como uma guerra de escolha”, disse. “O presidente entrou neste conflito com uma grande dose de ilusão, acreditando que seria uma vitória rápida.” Segundo ele, o Comando Central estadunidense (CENTCOM) havia alertado sobre o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, mas o aviso foi ignorado sob a expectativa de uma capitulação rápida de Teerã.


O cenário atual, no entanto, é oposto ao projetado. O Irã mantém capacidade de ataque com mísseis e drones, enquanto preserva controle efetivo sobre o estreito. Além disso, aproximadamente meia tonelada de material nuclear permanece sem rastreamento confirmado, o que impede qualquer declaração de vitória estratégica por parte de Washington. Para Vaez, sair do conflito sem reabrir o estreito representaria “uma derrota humilhante” para Trump.


A tentativa de desestabilização interna iraniana também produziu efeitos inversos. Segundo Vaez, a eliminação de lideranças políticas moderadas fortaleceu setores mais duros da Guarda Revolucionária, consolidando um sistema ainda mais militarizado. “O que ele criou foi uma estrutura política muito mais radicalizada”, afirmou. A estratégia, baseada na lógica de “decapitação” do poder político, ignorou a natureza multicêntrica do sistema iraniano, que tende a se recompor em momentos de crise.


Enquanto isso, a própria Casa Branca admitiu o assassinato de lideranças iranianas. A secretária de imprensa Karoline Leavitt declarou:


“Alguns dos líderes anteriores, que agora não estão mais neste planeta, mentiram para os Estados Unidos”.

No campo militar, a possibilidade de envio de tropas terrestres amplia o risco de um atoleiro prolongado. Vaez alertou para um cenário semelhante ao da Guerra do Vietnã, com escalada gradual e expansão descontrolada da missão: “Começa-se com poder aéreo, depois com um número limitado de tropas terrestres, e então a missão se expande descontroladamente”. A geografia do Golfo Pérsico, com alvos expostos e proximidade do território iraniano, torna forças invasoras vulneráveis a ataques constantes.


Uma alternativa considerada pela Casa Branca — atacar infraestrutura energética iraniana — também carrega consequências sistêmicas. Segundo Vaez, uma resposta iraniana poderia incluir ataques a instalações de petróleo no Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, elevando o preço do barril para mais de US$ 250. Tal cenário implicaria colapso econômico global, com efeitos políticos diretos sobre o governo estadunidense.


A fragmentação entre países do Golfo expõe ainda mais a instabilidade regional. Enquanto Omã defende uma resolução negociada, Emirados Árabes Unidos e Bahrein adotam postura mais agressiva. Arábia Saudita oscila entre mediação diplomática — em articulação com Egito, Turquia, Paquistão e China — e apoio tácito à contenção do Irã. Ainda assim, como destacou Vaez, a decisão final permanece concentrada em Washington, e os custos recairão sobre toda a região.


Historicamente, intervenções militares estadunidenses no Oriente Médio tendem a produzir efeitos opostos aos declarados, aprofundando instabilidades e fortalecendo atores que pretendiam enfraquecer. Entre a promessa de retirada e a ameaça de invasão, a política de Trump reproduz um padrão já conhecido — e potencialmente catastrófico — de expansão imperial sem horizonte claro de saída.

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