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IÊMEN DESAFIA A HEGEMONIA DOS EUA E DA ARÁBIA SAUDITA NO ORIENTE MÉDIO


A situação no Iêmen voltou a entrar em uma fase de forte tensão. Depois de um curto período de relativa contenção no conflito, novos ataques sauditas contra áreas sob controle de Ansar Allah, incluindo a ofensiva contra o aeroporto internacional de Sanaá em julho, recolocaram o país no centro da disputa regional.


Em resposta, as forças iemenitas declararam um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e passaram a ameaçar instalações e embarcações ligadas ao reino. Nos últimos dias, também foram reivindicadas operações contra alvos sauditas, incluindo o aeroporto de Najran e um petroleiro próximo à costa de Yanbu.


O confronto, porém, não pode ser compreendido apenas como uma disputa entre Sanaá e Riade. Desde 2015, a guerra no Iêmen tem sido marcada pela intervenção de potências externas, com a Arábia Saudita atuando como principal força militar da coalizão que combate Ansar Allah. Os Estados Unidos, por sua vez, forneceram apoio político, logístico e militar ao esforço de guerra saudita.


O resultado foi a devastação de parte significativa da infraestrutura do país, o enfraquecimento da economia e uma das mais graves crises humanitárias do mundo. A própria Organização das Nações Unidas continua alertando que o conflito permanece sem solução e que uma nova escalada pode produzir consequências ainda mais graves para a população iemenita.


Agora, entretanto, a equação parece menos favorável aos que pretendem impor seus interesses pela força. O Iêmen demonstrou possuir capacidade para ameaçar rotas marítimas, instalações petrolíferas e pontos estratégicos dentro do território saudita, elevando o custo de qualquer nova campanha militar.


A chamada política de “cerco por cerco” transforma a vulnerabilidade econômica da monarquia saudita em instrumento de pressão e sinaliza que o Iêmen não pretende simplesmente aceitar o retorno à condição de país submetido a bombardeios e bloqueios.

 
 

JORNAL CLANDESTINO

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