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Sem investimentos, 4 milhões de sudaneses que voltam ao país correm risco

Cerca de 4 milhões de sudaneses que retornam ao país enfrentam risco imediato diante da ausência de investimentos em infraestrutura. O alerta foi divulgado em 22 de abril de 2026 por uma agência das Nações Unidas. A Organização Internacional para Migrações afirma que serviços essenciais estão colapsados nas áreas de retorno. O movimento ocorre após meses de confrontos internos que devastaram regiões inteiras. A crise revela a incapacidade estrutural de resposta diante de um dos maiores deslocamentos humanos recentes.


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© Unocha/Giles Clarke |  Mulheres e crianças sudanesas deslocadas fazem fila para receber alimentos em um local de distribuição de uma cozinha comunitária da Save the Children no acampamento Daba Naira, em Tawila
© Unocha/Giles Clarke | Mulheres e crianças sudanesas deslocadas fazem fila para receber alimentos em um local de distribuição de uma cozinha comunitária da Save the Children no acampamento Daba Naira, em Tawila

A Organização Internacional para Migrações (OIM), vinculada às Nações Unidas, advertiu que aproximadamente 4 milhões de sudaneses que retornam voluntariamente às suas regiões de origem enfrentam condições críticas devido à falta de investimentos em reconstrução e assistência básica. Segundo o comunicado divulgado em 22 de abril de 2026 pela ONU News, o retorno ocorre em um cenário de destruição generalizada da infraestrutura, ausência de serviços públicos e colapso dos meios de subsistência, fatores que impedem o acesso a necessidades básicas como saúde, água e alimentação.


O fluxo de retorno se concentra principalmente nas regiões de Aj Jazirah e na capital Cartum, áreas que apresentam relativa melhora na segurança, mas ainda operam sob condições precárias. A OIM destaca que fatores como pressão econômica, reunificação familiar e a busca por sobrevivência têm impulsionado a decisão de retorno, mesmo diante de riscos evidentes. Muitas dessas localidades permanecem afetadas diretamente pelos confrontos e pelo colapso institucional, evidenciando que o retorno não representa necessariamente estabilidade, mas sim ausência de alternativas.


O Sudão enfrenta uma crise humanitária de grande escala, com quase 12 milhões de pessoas deslocadas desde o início dos combates entre forças governamentais e paramilitares da Força de Apoio Rápido (RSF). Desse total, cerca de 9 milhões permanecem deslocados internamente, vivendo em condições de extrema vulnerabilidade. Regiões como Aj Jazirah, Cartum, Sennar e Cordofão estão entre as mais afetadas pela violência e pela destruição de infraestrutura essencial.

A pressão sobre comunidades receptoras tem aumentado à medida que deslocados e retornados disputam recursos limitados. Sistemas de saúde, abastecimento de água, serviços de proteção social e oportunidades econômicas operam acima de sua capacidade, agravando a crise humanitária. A OIM ressalta que deslocamento e retorno são processos interligados, exigindo respostas coordenadas que considerem tanto as áreas de origem quanto as de acolhimento.


O Plano de Resposta à Crise da OIM para o Sudão em 2026 permanece subfinanciado em 97,2 milhões de dólares, comprometendo a capacidade de intervenção humanitária em larga escala. A agência projeta que mais de 2 milhões de pessoas devem retornar apenas para Cartum ao longo de 2026, ampliando a pressão sobre uma cidade ainda marcada pela destruição e pela precariedade dos serviços básicos, conforme dados divulgados pela ONU News.

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